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sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

Formação de Professores

   Quando começo a analisar as formações de professores, me sinto em um autêntico  DEJAVU.  Mas por quê??  O retrato que temos é de professores lendo textos (às vezes os mesmo textos, até os já mastigados pelas faculdades), com a metodologia que não muda nunca.
   Por que questionamos tanto as práticas dos professores, pedimos aulas criativas e interessantes se nem ao menos repensamos às nossas como coordenadores em nossas inúmeras formações?? Isso me fez repensar e mudar a forma que eu atuava com meus professores. E criei um roteiro diferenciado para as formações onde os professores são mais atuantes, a metodologia promove participação e socialização de conhecimentos. A formação não é só teoria mas com ideias práticas para solução de pontos necessários na prática destes professores.
   Vamos lá????

  • Observação de Prática Pedagógica
Não será possível uma formação de qualidade, seja qual metodologia for, se o coordenador não tiver propriedade do processo pedagógico de seus professores. A formação é a consequência de um diagnóstico feito pelo coordenador em sua rotina pedagógica: observação de planejamento, prática do professor, desenvolvimento dos alunos e etc. 
  • Planejamento do roteiro
A formação precisa de no mínimo 2 momentos. eu costumo planejar 3, sempre que possível: 

1º - Diagnóstico - Nesta etapa acontece a exposição de indicadores do problema principal para os professores, ou seja,  o que levou-nos a escolher esta temática. Por exemplo, notamos a necessidade de fazer uma formação voltada para produção de texto. O primeiro passo, foi fotografar diversas produções de textos, 'desindentificá-las' e, organizadas em slides, mostrá-las aos professores para que os mesmos fizessem suas observações apontando falhas e possíveis melhorias.

2º - Definição - aprofundamento do tema . Nesta parte, muitos recursos podem ser utilizados: Um filme, uma trilha, uma mesa redonda ou até seminário entre outras ideias riquíssimas que tire o professor da posição de receptor para atuante e que traga todas as informações possíveis para que todas as dúvidas fiquem esclarecidas. No caso de produção de texto, precisaríamos mostrar para os professores o que é uma produção e qual o objetivo desta atividade e que ações estariam sendo realizadas para  alcançar esses objetivos. Podíamos usar uma trilha essas informações. Ou poderíamos separar em grupos para que os mesmos pesquisassem e, em forma de seminário, apresentassem aos colegas.

3º - Ideias para resolução dos problemas detectados -  Nesta última etapa, o coordenador promoverá uma troca de ideias. Se temos de problemas, precisamos de soluções. Diante das etapas anteriores, com o problema identificado e o conhecimento adquiridos precisamos de ações para a mudança! Uma formação não terá sucesso sem está última etapa. O papel do coordenador se concentra em orientar e promover soluções para a melhoria da prática pedagógica, não é mesmo??
Nesta etapa o coordenador junto com o grupo busca soluções e ideias para resolver o problema que apareceu no diagnóstico. No caso de produções de textos, buscamos ideias para promover a motivação dos alunos na hora de escrever e facilitar as intervenções para a melhoria dos textos. Ideias  a produção de jornal, a criação de um blog com de histórias inventadas incentivaram os alunos a melhorarem na escrita e organização dos textos e com a acompanhamento dos professores o resultado tende a ser fantástico!!

  • Acompanhamento pós formação
Após a formação, o trabalho do coordenador pedagógico não está concluído. Agora seu papel é acompanhar a aplicação e os resultados acertados na formação, fazendo sempre as intervenções e orientações necessárias.



Grande abraço e até a próxima postagem!

Flavia Cardoso


sexta-feira, 28 de novembro de 2014

Os desafios da Escola atual

     
Que as crianças de hoje estão bem mais desenvolvidas que as de 13 anos atrás, já é uma verdade até ultrapassada em rodas de conversas de pais e educadores. 
      A globalização vem remodelando a sociedade e nas crianças percebemos as mais interessantes mudanças. Os pequenos já nascem com habilidades que facilitam o manuseio, sem segredos, de smartphones e tablets, que tiram suas dúvidas com uma simples pesquisa no Google, enquanto adultos da nossa geração sentem dificuldade de se adaptar, de aprender a usar esses novos recursos.
       Diante deste retrato atual, a escola precisa estar pronta para receber essas crianças que a cada ano nos surpreendem com novas habilidades e modo de pensar. Dentro da escola é bem fácil perceber essas evoluções. 
      Neste ano de 2014, nosso maternal 1 (crianças de 2 anos) com 1 semana de aula estavam adaptados. Raros eram os chorinhos de saudade de casa e já participavam da rotina, diferente do ano passado, onde a adaptação durou aproximadamente 1 mês. Nas apresentações deste ano, ficamos impressionados com a desenvoltura das crianças que dançavam e encenavam sem nem ao menos se importar com o público que as assistiam, diferente dos anos anteriores onde nas apresentações, o número principal era o choro pela insegurança, timidez e exposição ao que não estavam prontos. 
     Não dá pra usar as mesmas práticas de ontem, da mesma forma. É preciso uma remodelação para promover a aprendizagem significativa e saciar a sede de uma prática diferenciada para nossas crianças. 
    Como de adequar? Como estar pronto para esse desafio da Escola Atual? 
    Isso demanda um trabalho interno com toda equipe pedagógica.: Direção, coordenação, equipe técnica e professores através de formação, leitura, grupo de estudos e atualização continuada. A família é peça indispensável nesse processo. A parceria com a escola ou a falta dela, pode levar do sucesso ao fracasso.        Cada um tem um papel a desempenhar na formação desses futuros cidadãos. O envolvimento e compromisso da escola e da família é que vai fazer toda a diferença.


terça-feira, 28 de outubro de 2014

Corta ou não corta? Reunião de pais



É um simples começo de filme que deu pano pra manga em uma discussão com os pais em uma de nossas reuniões. Falamos sobre limites, sobre consequências . Foi um encontro muito produtivo.

Grande abraço
Flávia Cardoso

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Escola de Pais


O maior desafio da escola hoje é trazer a família para participar do processo escolar das crianças. O corre-corre diário impede, desmotiva a família a manter o contato com a escola e a participar mais de todo o processo. A escola precisa inovar a fim de trazer a família mais pra perto, estreitando a parceria.
   Na Escola Pierre Vigne, fazemos já há quase um ano, a Escola de Pais. Um momento bem diferente das tradicionais reuniões de Pais porque não é a escola que escolhe o que será abordado e sim, os pais. O momento é bem dinâmico e a participação dos pais é inevitável. Veja o passo a passo:

  • Primeiro é feito uma pesquisa com os pais a fim de identificar um tema de interesse. A pesquisa pode ser feita via circular ou no site da instituição. 
  • Se subir mais de um tema não tem problema. A escola de pais pode ter várias classes, várias estações.
  • A escola pode dividir as estações com os coordenadores ou convidados que estarão abordando as temáticas com os pais.
  • No dia do evento, pode-se entregar pulseiras de cores para identificar as estações (classes para temas abordados)
  • O ambiente onde será recepcionado os pais para abordagem do tema deve está caracterizado. Encare como uma sala de aula, onde você prepara todo o ambiente para proporcionar uma aula interessante para seus alunos.
  • A abordagem e feita numa seqüência planejada. Sensibilização (dinâmica ) levantamento do problema com registro, possíveis soluções e debate com o grupo, confecção de cartazes.
  • Socialização  das conclusões para as demais estações: ao final, todas as estações se reúnem para socializarem as conclusões e assuntos debatidos.
Minha experiência.
Tema: Tempo
Em uma das escolas de pais, fiquei responsável por direcionar os trabalhos na Estação com o tema Tempo. Planejei uma dinâmica para o início: a dinâmica tinha 6 etapas era composta de atividades do dia a dia que os pais teriam que cumprir no mínimo tempo possível. 
1ª etapa: um boneco de pano grande sem roupa e a farda da escola por vestir
2ª etapa: brinquedos espalhados e misturados para arrumar em suas respectivas caixas
3ª etapa: uma corda para pular 20 pulos sem errar
4ª etapa: uma jarra de água para encher 6 copos sem derramar
5ª etapa: uma laranja para descascar
6ª etapa: um notemos com uma frase a digitar

Note que cada etapa da dinâmica estava relacionada às práticas diárias do dia a dia da família: 
O cuidado com a família, com as crianças, trabalho, etc.
Alguns pais foram sozinhos, outros convidaram o cônjuge para efetuar a tarefa. Tínhamos um cronometro que contabilizava o tempo. 
Esta atividade por si só já desencadeou uma série de discussões: as diversas tarefas do dia a dia; a importância da ajuda do marido/esposa para facilitar as tarefas e planejamento.
Os pais começaram a participar e nas colocações começaram a aparecer os problemas que é o Tempo no dia a dia dos pais nessa correria diária. Todos os pontos foram registrados e depois expostos para o grupo. 
Alguns pais fizeram colocações importantíssimas quanto a culpa que sentiam em não terem o tempo suficiente para os filhos por causa da correria e , a partir daí, começamos a refletir sobre possíveis soluções para diminuir esta culpa. Nossa psicóloga estava rondando nas estações e nos deu uma rica contribuição. Possíveis soluções começaram a surgir e foram partilhadas naturalmente experiências que deram certo. Possíveis soluções foram anotadas e refletidas com toda a estação.  Os pais saíram agora, aliviados, e convictos que o Tempo não era um problema. A falta de planejamento sim.


Está foi uma experiência que deu muito certo. Outros temas foram abordados: A família no acompanhamento da tarefa de casa/A é a tecnologia: o acesso precoce e os perigos que a rede tem / entre outros.



quarta-feira, 15 de outubro de 2014

Professor ou Educador?

   
 O educador vai muito mais, além disso. O educador precisa entender de sentimentos, de medos e sonhos, precisa sim saber muito de sua matéria, mas precisa também se interessar pelos bichinhos de jardim, pelos animaizinhos domésticos, saber das aves do céu, de fadas e bruxas, de príncipes e princesas, é preciso gostar de rir e não ter vergonha de chorar. Precisa entender de “primeiro amor” e de hormônios em ebulição da adolescência, precisa saber de regras gramaticais e de teorema de Pitágoras, mas precisa entender sobretudo de coraçõezinhos aflitos, ávidos por serem ouvidos. Educadores precisam crer em Deus para conseguir enxergar os anjos que os rodeiam.
     Professores precisam falar bem e muito.
     Educadores compreendem que mais importante que falar é saber ouvir, principalmente num mundo onde cada um está mais preocupado consigo mesmo, onde se fala demais e ouve-se de menos. O educador entende que pode fazer a diferença, acredita em si e acredita em seu aluno. Sabe também falar bem, mas compreende que uma palavra sua tem a mesma capacidade, tanto de aliviar a dor como de ferir mortalmente a alma de uma criança.
     Um professor permanece um ano na vida de uma criança, o educador permanece para sempre, nas lembranças, nos exemplos, nos gestos, na saudade.

Professor passa; educador fica!
Celso Antunes

Uma bela reflexão sobre a responsabilidade e talento deste grande profissional.  Parabéns a todos os professores pelo seu dia!

Grande abraço,
Flavia Cardoso

domingo, 17 de fevereiro de 2013

Arrumando as malas... Planejamento

      Há alguns dias me vi em uma situação até que corriqueira mas que me fez  relacionar imediatamente com algo que faz parte do meu trabalho e que está na vida de todo ser humano. PLANEJAMENTO.
      Estávamos às véspera do carnaval e como não sabia o que iria fazer, estava totalmente descansada e já pensando que ficaria todo o feriado em casa. De repente , de última hora, decidimos viajar. Imagina que eu, sempre que viajo, começo a me organizar quase uma semana antes, (creio que toda mulher precavida possui essa prática) ter que dá conta de arrumar tudo em uma noite para passar o feriadão fora.  Naquela correria de por tudo em uma mala que parecia a menor de todas, claro e evidente que algo ficou para trás. E como é ruim esquecer algo essencial em casa durante uma viagem , não é? Nos sentimos frustrados e incompletos quando, por exemplo, não levamos uma câmera fotográfica para registrarmos os belíssimos momentos.
     Mas o que isso tem a ver com o planejamento??
     Quando separamos o tempo necessário para o cumprimento de uma tarefa e nos dedicamos a ela, a satisfação ao cumprí-la é maravilhosa.  É como viajar com tudo  previamente organizado. No contrário, a angústia e insatisfação nos atormenta.
     Professores que param para planejar são professores bem sucedidos! São professores que conseguem ter sucesso em suas aulas e alcançam o resultado esperado. Acredito que em salas de aula onde a indisciplina, a não-aprendizagem e professores estressados imperam , tenham como  causa, a falta de tempo e seriedade que esses professores dedicam ao ato de planejar.
     Estamos numa era que não podemos brincar de ser professor! Temos que nos conscientizar da grande responsabilidade que temos e dos objetivos que temos que alcançar! E ai, vocês vão encarar?!

Pensem nisso!

Grande abraço
Flavia Cardoso

O educador bem sucedido

Ótimo texto de José Manoel Moran



     Por que, nas mesmas escolas, nas mesmas condições, com a mesma formação e os mesmos salários, uns professores são bem aceitos, conseguem atrair os alunos e realizar um bom trabalho profissional e outros, não?
     Não há uma única forma ou modelo. Depende muito da personalidade, competência, facilidade de aproximar e gerenciar pessoas e situações. Uma das questões que determina o sucesso profissional maior ou menor do educador é a capacidade de relacionar-se, de comunicar-se, de motivar o aluno de forma constante e competente. Alguns professores conseguem uma mobilização afetiva dos alunos pelo seu magnetismo, simpatia, capacidade de sinergia, de estabelecer um “rapport”, uma sintonia interpessoal grande. É uma qualidade que pode ser desenvolvida, mas alguns a possuem em grau superlativo, a exercem intuitivamente, o que facilita o trabalho pedagógico.
    Uma das formas de estabelecer vínculos é mostrar genuíno interesse pelos alunos. Os professores de sucesso não se preparam para o fracasso, mas para o sucesso nos seus cursos. Preparam-se para desenvolver um bom relacionamento com os alunos e para isso os aceitam afetivamente antes de os conhecerem, se predispõem a gostar deles antes de começar um novo curso. Essa atitude positiva é captada consciente e inconscientemente pelos alunos que reagem da mesma forma, dando-lhes crédito, confiança, expectativas otimistas. O contrário também acontece: professores que se preparam para a aula prevendo conflitos, que estão cansados da rotina, passam consciente e inconscientemente esse mal-estar que é correspondido com a desconfiança dos alunos, com o distanciamento, com barreiras nas expectativas.
     É muito tênue o que fazemos em aula para facilitar a aceitação ou provocar a rejeição. É um conjunto de intenções, gestos, palavras, ações que são traduzidos pelos alunos como positivos ou negativos, que facilitam a interação, o desejo de participar de um processo grupal de aprendizagem, de uma aventura pedagógica (desejo de aprender) ou, pelo contrário, levantam barreiras, desconfianças, que desmobilizam.
    O sucesso pedagógico depende também da capacidade de expressar competência intelectual, de mostrar que conhecemos de forma pessoal determinadas áreas do saber, que as relacionamos com os interesses dos alunos, que podemos aproximar a teoria da prática e a vivência da reflexão teórica.
    A coerência entre o que o professor fala e o que faz, na vida é um fator importante para o sucesso pedagógico. Se um professor une a competência intelectual, a emocional e a ética causa um profundo impacto nos alunos. Estes estão muito atentos à pessoa do professor, não somente ao que fala. A pessoa fala mais que as palavras. A junção da fala competente com a pessoa coerente é poderosa didaticamente.
    As técnicas de comunicação também são importantes para o sucesso do professor. Um professor que fala bem, que conta histórias interessantes, que tem feeling para sentir o estado de ânimo da classe, que se adapta às circunstâncias, que sabe jogar com as metáforas, o humor, que usa as tecnologias adequadamente, sem dúvida consegue bons resultados com os alunos. Os alunos gostam de um professor que os surpreenda, que traga novidades, que varie suas técnicas e métodos de organizar o processo de ensino-aprendizagem.
    Ensinar sempre será complicado pela distância profunda que existe entre adultos e jovens. Por outro lado, essa distância nos torna interessantes, justamente porque somos diferentes. Podemos aproveitar a curiosidade que suscita encontrar uma pessoa com mais experiência, realizações e fracassos. Um dos caminhos de aproximação ao aluno é pela comunicação pessoal de vivências, histórias, situações que o aluno ainda não conhece em profundidade. Outro é o da comunicação afetiva, da aproximação pelo gostar, pela aceitação do outro como ele é e encontrar o que nos une, o que nos identifica, o que temos em comum.
    Um professor que se mostra competente e humano, afetivo, compreensivo atrai os alunos. Não é a tecnologia que resolve esse distanciamento, mas pode ser um caminho para a aproximação mais rápida: valorizar a rapidez, a facilidade com que crianças e jovens se expressam tecnologicamente ajuda a motivar os alunos, a que queiram se envolver mais. Podemos aproximar nossa linguagem da deles, mas sempre será muito diferente. O que facilita são as entrelinhas da comunicação lingüística: a entonação, os gestos aproximadores, a gestão de processos de participação e acolhimento, dentro dos limites sociais e acadêmicos possíveis.
    O educador não precisa ser “perfeito” para ser um bom profissional. Fará um grande trabalho na medida em que se apresente da forma mais próxima ao que ele é naquele momento, que se “revele” sem máscaras, jogos. Quando se mostre como alguém que está atento a evoluir, a aprender, a ensinar e a aprender. O bom educador é um otimista, sem ser ‘ingênuo”. Consegue “despertar”, estimular, incentivar as melhores qualidades de cada pessoa.

(Trecho do livro A educação que desejamos: novos desafios e como chegar lá, p.79-81, de José Manuel Moran)