Um conto diferente que pode ser contado de forma dramatizada, usando "caras e bocas". Experimente !
Há muito tempo atrás, em um lugar muito distante, havia um reino governado por um rei muito justo. Por isso, era um país próspero, onde as pessoas se sentiam bem e viviam muito felizes. No palácio, moravam o rei, a rainha e a princesinha, filha dos dois e que era a grande paixão do monarca.
Tudo transcorreu em harmonia naquele lugar enquanto a princesa era criança, mas, depois que ela foi crescendo e se aproximando da idade de se casar, seu pai, o rei, começou a ficar intranqüilo. Ciumento como era, tinha medo do dia em que sua filhinha se casasse e fosse morar em outro lugar, longe dele.
Uma vez que a princesa era uma moça linda, alegre e simpática, sua fama logo se espalhou pelos reinos vizinhos e de todas as partes do mundo começaram a chegar príncipes interessados em se casar com uma jovem tão especial. O rei, como vocês devem imaginar, ficou desesperado e resolveu montar um plano para que sua filha não saísse de seu lado. Assim sendo, com cada príncipe que vinha pedi-la em casamento travava o seguinte diálogo:
— Muito bem, príncipe, já que você deseja a mão de minha filha em casamento, precisa provar-me que é forte e corajoso o suficiente para dela cuidar e eu poder estar tranqüilo de que ela estará bem. Para isso precisará enfrentar provas de coragem, força e astúcia, que o colocarão em risco. Estás disposto a enfrentá-las?
— Sem dúvida, majestade, estou disposto a provar-lhe o quanto sou merecedor de tão grande honra e responsabilidade como desposar sua linda filha!
E o rei, então, encarregava os príncipes de cumprirem missões dificílimas, longas e impossíveis, como buscar uma flor que nascia no pico da montanha mais alta, ou matar um dragão ferocíssimo que morava numa caverna de um país distante, ou ainda trazer um pedaço da barba do gigante mais temido. Desta forma, os príncipes partiam e jamais voltavam, perdidos pelo mundo ou mortos em algum canto em conseqüência de suas aventuras. E o rei permanecia feliz, com sua filha pertinho...
Um dia, estavam todos reunidos no salão real quando o arauto, batendo com a lança no chão, anunciou:
— Encontra-se nos portões do palácio um príncipe chamado Harum que, vindo de reino distante, pede licença para falar com sua majestade.
— Mande-o entrar — ordenou o rei.
Jovem, altivo e garboso, Harum entrou pela porta do salão inundando o ambiente de força e energia. A princesa, ao vê-lo, ficou imediatamente fascinada, e pela primeira vez desejou ardentemente que a prova fosse vencida e ela pudesse partilhar do convívio daquele jovem tão especial. O rei, percebendo a força do rapaz e o interesse da filha, sentiu como nunca o perigo de perdê-la se aproximando e resolveu que a prova que escolheria deveria ser mais terrível do que nunca. Assim sendo, diante do pedido de casamento feito por Harum, avisou-o da prova que teria que enfrentar e, diante de sua concordância em dela participar, anunciou-lhe:
— Para provar sua coragem e astúcia, deverás fugir durante 24 horas dos guardas e cães amestrados do meu reino, ficando todas as pessoas proibidas de ajudá-lo ao longo da prova. Se, depois do prazo corrido, conseguires voltar com vida a essa sala do palácio, poderás desposar minha amada filha. Estás disposto a enfrentar o risco da morte por ela?
— Sim, majestade. Pode dar início à prova quando achares conveniente.
O rei, nesse momento, levantou-se e ordenou:
— Que toquem todas as trombetas do reino dando início à prova, e daqui a quinze minutos que toquem novamente, para que todos os guardas e cães partam na perseguição mortal.
Todos os presentes ouviram as trombetas soarem com o coração nas mãos. A princesa, sufocada pela angústia, mal conseguia se controlar. A rainha, sem saber a quem agradar, se ao marido ou à filha, olhava de um lado para o outro, tentando descobrir o que pensava de toda aquela situação...
Seguiu-se, então, longa espera. De tempos em tempos chegavam notícias e todos paravam para ouvi-las atentamente.
— O príncipe Harum foi visto com vida no condado de Hamphisfire, escondido no celeiro de uma fazenda.
Os cães e guardas tentaram alcançá-lo, mas ele foi mais ágil, e fugiu! — anunciava o arauto. Suspirava de alívio a princesa, roía-se de raiva o rei, comentavam a meia voz a corte toda...
Horas depois o arauto voltava a anunciar:
— O príncipe foi pego pelos cães reais e estraçalhado. As notícias indicam que a prova está terminada. Caía em prantos a princesa, rejubilava-se o pai, permanecia em suspenso a rainha. A corte parava de sorrir e todos comentavam o fato entre sussurros. Era como se um véu baixasse sobre o reino. Mas quando tudo parecia perdido, chegavam novas notícias, vindas por outros emissários:
— O príncipe foi visto na vila de Sesquaire sobre os telhados de algumas casas. Emoção geral. A princesa quase desmaiava de alegria, o pai rugia de raiva! E, nesses encontros e desencontros das notícias, ninguém sabia o que efetivamente havia acontecido! Estaria o príncipe vivo? Teria morrido? A dúvida e a emoção pairavam no ar...
Vinte e quatro horas depois de iniciada a prova, encontravam-se todos no salão real. A princesa roía as unhas, tirando peles e sangue dos cantinhos... o rei, rugas na testa, mãos para trás, andava para lá e para cá... a rainha ora contava algo para a filha, ora caminhava em silêncio ao lado do marido. O clima era de expectativa geral, quando as trombetas soaram e as portas do salão foram escancaradas.
Pararam todos como autômatos. O silêncio era tão grande que se ouviam os corações batendo, quando o arauto entrou, bateu com a lança no chão e falou:
— O príncipe voltou.
— O príncipe voltou?!? — rugiu entre dentes o rei.
— O príncipe voltou!!... — murmurou a princesa.
— O príncipe voltou!?! — perguntava-se a rainha.
Adentrou, então, o salão o jovem príncipe, sujo e rasgado das aventuras e perigos que tivera que enfrentar para conquistar o amor da amada. A corte aplaudia em pé, entusiasmada, tanta coragem. É claro, leitor, que o rei não teve outra saída, e os dois jovens casaram-se e viveram felizes para sempre... Ou não?
gostei muito da historia
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