Não raro, os pais da criança mordida, depois da terceira ou quarta reincidência, chateados e muitas vezes bem descontentes em virtude das marcas de mordida em sua criança, interpelam professores questionando a respeito das atitudes que serão tomadas em relação a criança e a família dela.
Tenho aqui que dar uma parada obrigatória. Há algumas considerações que não posso deixar de explicitar neste texto.
Nenhuma criança, e digo nenhuma criança realmente, merece levar o rótulo de “mordedora”, por mais que a vítima seja o seu gostoso bebê. Isso fica mais fácil de aceitar como verdade, desde que todos os adultos possam se colocar no lugar dessa criança. Ou melhor, e mais eficaz ainda, imaginar que essa criança “mordedora” (que horrível!!!) poderia ser seu próprio filho ou filha.
E por falar nisso, jamais se esqueçam também de que “tirar satisfações” com os pais ou com a babá da criança que mordeu várias vezes o seu filho em nada irá contribuir para que possamos solucionar esses repetidos eventos.
Os pais dessas crianças invariavelmente estão tão preocupados ou até mesmo tão arrasados quanto os pais das crianças que foram mordidas. Além de não saberem como agir, ainda têm que circular entre outros pais nos eventos infantis, com o rótulo de péssimo educador e ver o seu filho ou filha sendo “isolado”, delicadamente, do convívio social das outras crianças. É bem triste!
Feitas essas considerações, podemos citar alguns procedimentos que devem ser realizados, quando uma criança morde a outra:
Professor, seja firmes com a criança que porventura tenha mordido. Abaixe-se para poder olhar diretamente nos olhos dela e assim converse. Mostre o ferimento do colega e explique a criança que ninguém gosta de sentir dor.
Ofereça maneiras para que a criança que mordeu possa ajudar a fazer o “curativo” na criança mordida.
Procure descobrir o motivo que fez surgir tal comportamento e mostre a criança outras formas de expressão.
Tente solucionar esse desafio no contexto escolar (pois se acontece na escola, na presença de outras crianças, a solução deve vir da escola), porém, quando o fato se mostra repetitivo e algo mais se manifesta, chame os pais, para juntos, em parceria, encontrar as causas desse comportamento recorrente e eventuais estratégias para ajudar a criança.
Espero ter ajudado,
Flavia Cardoso
Falou e disse
Maria Elisa Neves de Oliveira
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