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domingo, 17 de fevereiro de 2013

Arrumando as malas... Planejamento

      Há alguns dias me vi em uma situação até que corriqueira mas que me fez  relacionar imediatamente com algo que faz parte do meu trabalho e que está na vida de todo ser humano. PLANEJAMENTO.
      Estávamos às véspera do carnaval e como não sabia o que iria fazer, estava totalmente descansada e já pensando que ficaria todo o feriado em casa. De repente , de última hora, decidimos viajar. Imagina que eu, sempre que viajo, começo a me organizar quase uma semana antes, (creio que toda mulher precavida possui essa prática) ter que dá conta de arrumar tudo em uma noite para passar o feriadão fora.  Naquela correria de por tudo em uma mala que parecia a menor de todas, claro e evidente que algo ficou para trás. E como é ruim esquecer algo essencial em casa durante uma viagem , não é? Nos sentimos frustrados e incompletos quando, por exemplo, não levamos uma câmera fotográfica para registrarmos os belíssimos momentos.
     Mas o que isso tem a ver com o planejamento??
     Quando separamos o tempo necessário para o cumprimento de uma tarefa e nos dedicamos a ela, a satisfação ao cumprí-la é maravilhosa.  É como viajar com tudo  previamente organizado. No contrário, a angústia e insatisfação nos atormenta.
     Professores que param para planejar são professores bem sucedidos! São professores que conseguem ter sucesso em suas aulas e alcançam o resultado esperado. Acredito que em salas de aula onde a indisciplina, a não-aprendizagem e professores estressados imperam , tenham como  causa, a falta de tempo e seriedade que esses professores dedicam ao ato de planejar.
     Estamos numa era que não podemos brincar de ser professor! Temos que nos conscientizar da grande responsabilidade que temos e dos objetivos que temos que alcançar! E ai, vocês vão encarar?!

Pensem nisso!

Grande abraço
Flavia Cardoso

O educador bem sucedido

Ótimo texto de José Manoel Moran



     Por que, nas mesmas escolas, nas mesmas condições, com a mesma formação e os mesmos salários, uns professores são bem aceitos, conseguem atrair os alunos e realizar um bom trabalho profissional e outros, não?
     Não há uma única forma ou modelo. Depende muito da personalidade, competência, facilidade de aproximar e gerenciar pessoas e situações. Uma das questões que determina o sucesso profissional maior ou menor do educador é a capacidade de relacionar-se, de comunicar-se, de motivar o aluno de forma constante e competente. Alguns professores conseguem uma mobilização afetiva dos alunos pelo seu magnetismo, simpatia, capacidade de sinergia, de estabelecer um “rapport”, uma sintonia interpessoal grande. É uma qualidade que pode ser desenvolvida, mas alguns a possuem em grau superlativo, a exercem intuitivamente, o que facilita o trabalho pedagógico.
    Uma das formas de estabelecer vínculos é mostrar genuíno interesse pelos alunos. Os professores de sucesso não se preparam para o fracasso, mas para o sucesso nos seus cursos. Preparam-se para desenvolver um bom relacionamento com os alunos e para isso os aceitam afetivamente antes de os conhecerem, se predispõem a gostar deles antes de começar um novo curso. Essa atitude positiva é captada consciente e inconscientemente pelos alunos que reagem da mesma forma, dando-lhes crédito, confiança, expectativas otimistas. O contrário também acontece: professores que se preparam para a aula prevendo conflitos, que estão cansados da rotina, passam consciente e inconscientemente esse mal-estar que é correspondido com a desconfiança dos alunos, com o distanciamento, com barreiras nas expectativas.
     É muito tênue o que fazemos em aula para facilitar a aceitação ou provocar a rejeição. É um conjunto de intenções, gestos, palavras, ações que são traduzidos pelos alunos como positivos ou negativos, que facilitam a interação, o desejo de participar de um processo grupal de aprendizagem, de uma aventura pedagógica (desejo de aprender) ou, pelo contrário, levantam barreiras, desconfianças, que desmobilizam.
    O sucesso pedagógico depende também da capacidade de expressar competência intelectual, de mostrar que conhecemos de forma pessoal determinadas áreas do saber, que as relacionamos com os interesses dos alunos, que podemos aproximar a teoria da prática e a vivência da reflexão teórica.
    A coerência entre o que o professor fala e o que faz, na vida é um fator importante para o sucesso pedagógico. Se um professor une a competência intelectual, a emocional e a ética causa um profundo impacto nos alunos. Estes estão muito atentos à pessoa do professor, não somente ao que fala. A pessoa fala mais que as palavras. A junção da fala competente com a pessoa coerente é poderosa didaticamente.
    As técnicas de comunicação também são importantes para o sucesso do professor. Um professor que fala bem, que conta histórias interessantes, que tem feeling para sentir o estado de ânimo da classe, que se adapta às circunstâncias, que sabe jogar com as metáforas, o humor, que usa as tecnologias adequadamente, sem dúvida consegue bons resultados com os alunos. Os alunos gostam de um professor que os surpreenda, que traga novidades, que varie suas técnicas e métodos de organizar o processo de ensino-aprendizagem.
    Ensinar sempre será complicado pela distância profunda que existe entre adultos e jovens. Por outro lado, essa distância nos torna interessantes, justamente porque somos diferentes. Podemos aproveitar a curiosidade que suscita encontrar uma pessoa com mais experiência, realizações e fracassos. Um dos caminhos de aproximação ao aluno é pela comunicação pessoal de vivências, histórias, situações que o aluno ainda não conhece em profundidade. Outro é o da comunicação afetiva, da aproximação pelo gostar, pela aceitação do outro como ele é e encontrar o que nos une, o que nos identifica, o que temos em comum.
    Um professor que se mostra competente e humano, afetivo, compreensivo atrai os alunos. Não é a tecnologia que resolve esse distanciamento, mas pode ser um caminho para a aproximação mais rápida: valorizar a rapidez, a facilidade com que crianças e jovens se expressam tecnologicamente ajuda a motivar os alunos, a que queiram se envolver mais. Podemos aproximar nossa linguagem da deles, mas sempre será muito diferente. O que facilita são as entrelinhas da comunicação lingüística: a entonação, os gestos aproximadores, a gestão de processos de participação e acolhimento, dentro dos limites sociais e acadêmicos possíveis.
    O educador não precisa ser “perfeito” para ser um bom profissional. Fará um grande trabalho na medida em que se apresente da forma mais próxima ao que ele é naquele momento, que se “revele” sem máscaras, jogos. Quando se mostre como alguém que está atento a evoluir, a aprender, a ensinar e a aprender. O bom educador é um otimista, sem ser ‘ingênuo”. Consegue “despertar”, estimular, incentivar as melhores qualidades de cada pessoa.

(Trecho do livro A educação que desejamos: novos desafios e como chegar lá, p.79-81, de José Manuel Moran)